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quinta-feira, 6 de junho de 2013





O Menino e o Livro

Quando eu estava na escola minha professora leu este texto de Tatiana Belinsky, gostei muito, quero compartilhar com vocês.


       O que eu vou contar agora não é uma historia inventada. É uma coisa que aconteceu de verdade. E foi comigo mesmo, aqui em São Paulo alguns anos atrás. Leiam e me digam se não foi uma coisa bonita.
            Estava eu lá na Rua Barão de Itapetininga, no centro da cidade, mexendo nas estantes da Livraria Brasiliense (Eu não consigo passar por uma livraria sem entrar para fuçar no meio dos livros... A gente nunca sabe que surpresa vai encontrar entre as capas. Pode ser coisa de poesia, risada ou de susto, sei lá. Um livro é sempre uma aventura, vale a pena tentar!)
            Pois bem, estava eu ali, muito entretida, examinando os livros, quando de repente senti que alguém me puxava pela manga. Olhei para baixo e vi um menino – um garotinho de uns oito ou nove anos, magrelo, sujinho, de roupa esfarrapada e pé no chão.
            Uma dessas crianças que vivem largadas pelas ruas da cidade, pedindo esmola. Ou no melhor dos casos, vendendo agulhas ou coisas desse tipo. Eu já ia abrindo a bolsa para pegar uns trocados, quando o menino disse:
            - Escuta, Dona (Naquele tempo ninguém chamava a gente de tia; tia era só a irmã do pai ou mãe.)
            - O que é? Falei. O que você quer?
            - Eu... dona,me compra um livro? Disse ele, baixinho, meio com medo.
            Dizer que fiquei surpresa é pouco. O jeito do menino era de quem precisava de comida, de roupa, isso sim. Duvidei do que ouvira:
            - Você não prefere algum dinheiro? Perguntei.       
            - Não, dona, disse o garoto, olhando-me agora bem nos olhos. Eu queria um livro, me compra um livro?
            Meu coração começou a bater mais forte.
            - Escolha o livro que você quer, falei.
            As pessoas na livraria começaram a observar a cena,incrédulas e curiosas. O menino já estava junto à prateleira, procurando, examinando, ora um livro, ora outro, todo excitado. Um vendedor se aproximou, meio desconfiado, com cara de querer intervir.
            -Deixe o menino escolher um livro, falei. Eu pago.
            As pessoas em volta me olharam admiradas. Onde já se viu alguém comprar um livro para um molequinho maltrapilho daqueles?
            Pois vou lhes contar, foi exatamente o que se viu naquela tarde, naquela livraria. O menino acabou se decidindo por um livro de aventuras, não me lembro qual. Mas me lembro bem da minha emoção, quando lhe entreguei o volume e vi seus olhinhos brilhando ao me dizer um rápido “obrigado, dona”, antes de sair na disparada, abraçando o livro apertado ao peito.
            Quanto aos meus próprios olhos, estes se embaçaram estranhamente, quando pensei comigo:
            Tanta criança rica não sabe o que se perde, não lendo – e este menino pobre ( que certamente não era um pobre menino) sabe o valor que tem essa maravilha que se chama livro!
Isto aconteceu há vários anos. Bem que eu gostaria de saber o que foi feito daquele menino...

Maria Rosa

Um comentário:

  1. Texto lindo!!! Gastaria rios de dinheiro para incentivar a leitura, mas infelizmente esse prazer esta sumindo dos lares e das escolas!!!

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